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Quando eu era pequeno eu tinha muita dificuldade em me comunicar com as pessoas e, principalmente, de expor a minhas idéias, pois o grande lance, para mim, era fazer parte de um grupo. Eu ia para a academia treinar mas não via muito sentido naquilo tudo. Eu, raramente conseguia aplicar os golpes que me mostravam; tudo me parecia muito difícil. Parecia que o único objetivo de todos os meus colegas de tatame era me vencer, para depois, me olhar de cima para baixo (venci um Gracie). Para mim, desde novinho, uma luta nunca era pessoal e, eu nem sei porque eu insistia em ir para a academia treinar, parecia que todos pensavam diferente de mim... mas, eu sempre acabava no tatame (rs). Apesar de, naquela época, ainda não entender a essência do jiu-jitsu, eu sentia, em mim, uma grande barreira para aprender o jiu-jitsu: eu não me interessava o suficiente... Em contrapartida, eu me cobrava aprender, saber o jiu-jitsu; isso, realmente, era muito frustrante. Quando fiz 13 anos, se iniciou uma nova jornada em minha vida: minha sobrevivência passou a fazer parte das minhas preocupações. Passei a ter novos valores, o supérfluo já não me importava, mas o básico sim, e este passou a ser fundamental e essencial para mim. As situações que eu vivi me fizeram ter um discernimento melhor entre a ilusão e a realidade. Levei escorregões, tombos, aprendi a levantar e caminhar para frente, muitas vezes até, sem olhar para trás... Sempre contei comigo mesmo. Descobri que eu tive esses escorregões e esses tombos, por causa do ângulo em que eu estava. Logo após alguns anos, após conquistar minha faixa preta, com o Mestre Carlson, resolvi vir para São Paulo e dar aula. Bom, no tatame de novo, eu comecei a buscar a resolução de minhas dúvidas nos outros, e percebi que poucos conheciam ou sabiam o que estavam falando.Assim, passei a me observar e, sem julgar a mim mesmo, comecei a perceber o meu jeito de ser, de lutar, a minha base, o meu equilíbrio e testar qual alavanca funcionava para mim. Nunca gostei de fazer força mas, descobri que existem momentos onde a força, somada à técnica, é fundamental e necessária. Entendi, também, que o equilíbrio é a base e que nenhuma situação ruim dura por muito tempo, e que nenhuma boa também, mas, esse equilíbrio é fantástico para não deixar o treino monótono. Além disso, essa dinâmica nos faz ficar atentos e rápidos, nos faz evoluir, nos tornando fortes.A cada ano que passa, percebo coisas novas. O tatame e os meus alunos são meus professores. As lições que aprendo todos os dias me motivam e me fazem, cada vez mais, acreditar em mim e no jiu-jitsu. Essas lições transporto para minha vida, para a minha rotina. E é o que tento passar para meus alunos e vou tentar passar para os meus amados filhos.
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